Contratar bem é reduzir a aposta

Liberty Life 2 min de leitura

Nenhum processo seletivo elimina o risco. O que um método faz é diminuir a parte da decisão que depende de sorte.

Há uma frase que se repete em toda empresa que contratou errado: "na entrevista, parecia outra pessoa". Ela é sincera, e é exatamente o problema. Quarenta minutos de conversa medem bem uma coisa — a habilidade de conduzir uma conversa de quarenta minutos.

O restante fica de fora: o ritmo real de entrega, a reação a uma correção pública, o que a pessoa faz quando não sabe a resposta, a compatibilidade com o estilo de quem vai liderá-la.

Cinco leituras, aplicadas na mesma ordem

Um método de contratação não precisa ser longo. Precisa ser o mesmo para todos os candidatos da mesma vaga, para que a comparação signifique alguma coisa.

  • Currículo — o que é verificável: formação, tempo de permanência, certificações, indicações
  • Consciência — o quanto a pessoa sabe sobre si mesma e sobre onde se adapta
  • Competência — o domínio real, testado em situação, não declarado
  • Comportamento — proatividade, abertura à correção, comportamento em time
  • Comunicação — clareza, empatia e equilíbrio sob pressão

Aplicadas em sequência, essas cinco leituras produzem algo que a intuição sozinha não produz: um registro. Seis meses depois, quando a contratação deu certo ou deu errado, é possível voltar ao parecer e entender qual leitura falhou. É assim que um processo seletivo melhora.

A metade que quase ninguém estuda

O candidato é metade da decisão. A outra metade é quem vai recebê-lo.

Uma liderança que delega pouco vai sufocar um profissional autônomo. Uma que não dá retorno vai perder alguém que precisa de direção. Um time em ritmo de urgência permanente vai rejeitar quem trabalha por planejamento — ainda que planejamento seja exatamente o que faltava ali.

Boa parte das contratações que "não deram certo" foram acertos técnicos colocados no ambiente errado.

Estudar o perfil de quem contrata custa uma conversa e evita meses de atrito. É a parte mais barata do processo e a que mais se pula.

O custo que não aparece na planilha

O salário de uma contratação equivocada é o menor dos custos. Some o tempo da liderança que treinou, a produtividade do time que absorveu a diferença, o cliente que percebeu, o processo seletivo refeito e o efeito sobre quem ficou assistindo. O método não existe para tornar a contratação sofisticada. Existe para tornar essa conta menos frequente.

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